segunda-feira, 29 de julho de 2013

Reza por mim

De presente, gostaria de um pouco de paz, um pouco de ar pra respirar. Um oi bem-dito, um abraço que não doa e uma voz com presença que queira ali estar.
 De presente, ganhei uma oração, "feliz aniversário" e o dia de ignorância, indiferença; é só um aniversario, só o meu aniversario, de que importa?
 O que vivo, onde estamos, é um mundo de indiferenças e insignificâncias. O que vive não é teu corpo, é tua vida desesperada clamando por um lugar. O que cheiro, é o que me move: oxigênio. Outro indiferente ao meu corpo, à minha paz, inerente à minha vida mas que é necessidade mútua.
 Por que esse nojo? Por que tomo esse desgosto da vida? Agosto.
Me sufoca a vigilância, a falta de vivência que tenho e temo. Libertinagem, não liberdade. Sangue, não tinta. Música é o som do grito que ecoa nessa casa de ignorância e morte, maldade e assombro, paixão e fantasmas de um eu que aqui já morou.
Por mim e por todos.
Eu não quero estar aqui. Me sinto maldita, acabada. Me sinto otária, transparente. Um ser sem vontades, um ser sem  existência ou necessidades. Sou um pássaro. Um passaro que canta tristemente em suas paredes rabiscadas e clama por ser solto; precisa voar. Precisa de ar. Sou um passaro com as asas cortadas, lâmina na frente, quer cortar a propria cabeça. Por que me sinto assim?
Rasgo minha pele, me abro em soltura e tento me libertar das correntes que criei e que me são postas a ada dia. Preciso sair daqui.
  Um calafrio fúnebre cobre meu corpo. Estou novamente acompanhada?
Desleixo, eu odeio essa casa. Eu não sou desse lugar, não pertenço à minha escola, não sou de nenhum estado, não vivo essa vida de surpresas e revelações. De boas revelações.
A morte me cobre como se fosse um presente. Salvação, liberdade... Devo ouv-la?
A morte é um processo retilíneo.
Me livra de todo mal? amem.

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