segunda-feira, 25 de julho de 2016

Prosa pra uma borboleta

Queria poder te entregar mil abraços, gritar com você e te bater só de raiva por tudo ter acontecido. Mas na verdade, de certa forma meu coração se alegra com essa dor que deixou. Por vezes, pensei em não pensar em voce, ou melhor, não lembrei de me lembrar do teu cheiro, mas de supetão eu acordei.
Queria de novo olhar a Lua, respirando as estrelas somente com um xale pra passar o frio, você e ele mas ainda assim nós. Queria me sentir cuidada, nao mais abandonada como me senti quando pude chorar nas matas do bosque, sua saia rodante acalentando-me e abrigando-me. Queria, ah, como queria poder ter mais tempo, mais um segundo pra viver com sua luz e seguir todo esse caminho. Mas agora voce se foi, não há mais pão, não há mais Lua, não há mais saia, só há lembrança.
Não estou triste, afinal, pois sei que Iansã balança seu leque, o vento surge e você consegue dançar nele. Você é o vento. Vento que ventou aqui, venta lá mas não volta aqui. Voce nao vai voltar.
Minha borboleta, saiu do seu casulo e se transformou em flor. Flor que enfeita caixão, desfaz na terra e volta ao pó. Mas como dizem, nada é infinito e o tempo em que aqui viveu parecia que havia um relogio nas suas costas. Cada segundo, tic e tac, contava. Obrigada e voa. Voa com tua força, leva a tristeza, traz a esperança! Espalha tuas sementes no ar, rega com teu amor e brotará, irmã, brotará.
Voe. Bata suas asas. A tristeza se vai mas você, eternamente, ficará.