É cansativo esse vai e vem louco ao qual vivemos. Incerteza oscila com insegurança, levando ao mesmo ponto inicial: o que fazemos juntos?
Idealizamos que somos o melhor casal mas, nem de longe, somos um bom casal. O que nos falta?
A presença macica, os planos não-falhos, as asas abertas e a corrente arrebentada nos impede de decidir o que somos. Não o que estamos, mas o que, de verdade, somos.
Por que não conseguimos ser nós mesmos quando só nossa alma faz companhia aos nossos corpos juntos? Por que parece tão incompleto, sempre indecido? Por que não me conta que ama à outra e que só precisa testar se a força desse seu novo gostar - no caso, eu- consegue suprir ou cobrir o amor doentio que sente por ela? As vezes sinto isso. Sua pele me diz, seus olhos, cansados, me dizem.
Cada dia parece mais distante de mim, de nós... O nós só existe nesse nó que faz minha cabeça, não é? Me conta. O que trama? Eu gostaria de ser o que quer, ou, pelo menos, ser ela...
Sinto falta de amor. Demorei a conhecer e, quando encontrei, me afundei, me perdi... E agora não sinto, não vejo, não acho em você. Por que teus gestos são sempre tão frios comigo? Não sou só uma, tampouco uma maldição pra sua vida. Sou uma louca descontrolada, carente com sede da propria morte mas não encontro vida em nada. Gostaria de encontrar em ti.
Pensa nela quando estamos juntos? É por isso que tanto fecha os olhos?
Eu fechei meus olhos, procuro nunca pensar nisso mas tu sabes, tanto quanto eu, que essa é a maior realidade que há entre nós.
Sinto um amargo em mim. Impreenchivel.
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