Por que se aventuram a rolar na grama-crescente sabendo que logo vai começar a coçar?
E com a coceira, vai sair. E com a saída, vai doer.
Vou ter que podar outra vez, como fiz a um tempo atrás. Fazer queimata na floresta-criação e ver que na verdade, se está sozinho no jardim.
Seu jardim-mente de grama crescente, navalha cortante, cega, não dilacera mais pele alguma.
Estou em dúvida.
Dúvida sobre o futuro que me aguarda, sobre minhas conquistas e sobre minha perda.
Estou me aventurando a comer maçãs vermelhas num pomar culto, um pomar de maçãs brancas mas topo vermelho. E se me sujar, parece sangue?
Vai acabar?
Vai pomar podar?
Vou pomar podar?
Quero pomar podar?
Está crescendo, vai dar frutos? Será pomar? Será vermelho? É duvida.
Minha árvore-cranio foi bem plantada e mal cuidada. Deixei vacilar. Meu erro está me deixando com raiva, e raiva eu sem querer cultivo, deixo entrar, no jardim-cabeça.
Sai, raiva e ressentimento!
Sai medo, por favor!
Medo de deixar jardim-vontade procriar e fazerem queimada.
E me machucar.
Não quero mais me machucar. Eu queria não ser idiota. Eu quero parar mas quero arriscar.
Um dos jardineiros já me alertou: para com medo.
Mas eu sei que vou deixar crescer.
Minha roseira tem espinhos inteligentes.
"Inteligencia mata.
Pensamento mata.
Poesia mata.
Poesia nata."
http://mouramarsiaj.com.br/exposicoes/o-jardim-de-epicuro
ResponderExcluirJardim da alma regar pomar
apalpar pomar podar só os galhos certos