Você está sentado em seu quarto, a porta trancada. Você procura uma caneta e um pedaço de papel qualquer. Você está tremendo. “Para minha família”, você escreve no topo da página, e algumas lágrimas caem sobre o papel. Péssimo jeito de começar uma carta de suicídio. Mas você não sabe por onde começar. Ninguém te entende, ninguém sabe o que você está sentindo. Você está completamente sozinho. Ninguém se importa com você, se você está vivo ou não, tanto faz. Pelo menos é isso que você pensa. E então você acaba com tudo. Ninguém se importa, certo?
Bom, errado. É uma quinta-feira de manhã, às 6:48. Sua mãe bate na porta. Silêncio. Você não pode ouvi-la. Ela bate mais algumas vezes, chama seu nome, e abre a porta. Um grito. Seu pai corre, assustado e aterrorizado. Você não pode ver o desespero nos olhos deles. Sua mãe pega toda sua energia, que é perto de nada, e vai até sua cama. Ela se inclina sobre seu corpo frio, chorando e acariciando seu rosto. Ela se culpa. Se culpa por todas as vezes que te disse “não”, todas as vezes que gritou com você e te pôs de castigo por algo estúpido. Seu pai se culpa por passar tanto tempo trabalhando e não ter tempo pra você. Ninguém se importa, certo?
Seus irmãos se juntam aos seus pais. Sua irmã mais nova pensa em todas as vezes que implicou com você e disse que te odiava. Apesar de tudo, ela te amava e via em você seu herói. Seu irmão, o garoto que nunca chorava, pensa nas vezes que te bateu por besteira, e lágrimas molham seu rosto. Ele vai pro seu quarto, bravo, se perguntando se foi ele quem causou sua morte. Ele não sabe lidar com isso. Ninguém sabe. Mas ninguém se importa, certo?
8:54. O diretor do seu colégio entra na sua sala, com uma expressão terrível no rosto. Ele fala algo com a professora, seus colegas estão preocupados. Depois, ele anuncia seu suicídio. Os colegas que sempre zombavam de você se sentem culpados. Seu melhor amigo se sente culpado por não ter percebido que você estava mal e precisava de ajuda. O professor se culpa por todas as vezes que gritou com você por esquecer o dever de casa ou não prestar atenção na aula. As pessoas gritam e choram, até quem nunca falou com você, todos se culpando de alguma forma, todos eles devastados.Mas ninguém se importa, certo?
Já faz um mês. No seu colégio, ninguém ri. A porta do seu quarto esteve fechada todo esse tempo. Sua mãe chora todos os dias, e ainda espera você voltar.
Ainda acha que ninguém se importa com você? Pense de novo. Mesmo que ninguém mostre isso, há pessoas que te amam e se preocupam com você. Se você se matar, nunca saberá disso. O suicídio vai acabar com sua dor, mas vai doer em todas as pessoas que te conhecem, pro resto da vida delas. O suicídio é o caminho mais fácil, porém, é uma escolha errada. A vida não é tão ruim assim. Eu sei, ela tem seus altos e baixos e dias ruins. Mas todos nós passamos por momentos difíceis de vez em quando, como provavelmente você está passando agora. Mas esses maus momentos vêm e vão.
Se você se matar, tem noção de como as pessoas que amam você vão ficar? Te digo: lágrimas, lágrimas e lágrimas. Devastação. Dor. Culpa. Se depois de ler isso você ainda quiser cometer suicídio, acredite, há pessoas que estão dispostas a te ajudar. Professores, pais, avós, vizinhos, amigos, sempre há alguém. Eu sei que é difícil, mas acredite, tudo vai melhorar. Não acredite em tudo que te dizem, você é incrível. Confie em você e faça algo que deixe feliz. Você é importante pra muita gente, e se existem pessoas que querem te derrubar, é porque você está acima dele. Eu espero que você esteja sorrindo agora. Você sabe que tudo isso é verdade. Então se mantenha forte, porque tudo vai ficar bem. Eu prometo.
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