Seria mesmo vida ou só corpo?
De qualquer jeito, não tinha cais. De todos os modos, não haviam boia. Qual seria a saída? Estou em alto mar, não me afogo pois bato rapido as pernas, respiro ofegantemente - existe cheiro de agua- e lamento cada minuto que estou ganhando me mantendo viva. Talvez porque, em outrora, estivesse eu me sufocando de um outro modo, tenho uma preocupação mais saudavel e temporaria, sabendo que tinha data e hora - o problema fora minha ansiedade-.
Mas, e agora, o que eu faço?! As pernas cansam de bater, me ponho a boiar. Impulso pra cima, pernas, braços e costas relaxados, agora é só me preocupar com não afundar.
Qual a profundidade de onde eu estou? Estou sem os pés no chão - será que quero ver até onde posso ir?-.
São tantas perguntas que envolvem essa mente... Não, não estou conturbada! Estou somente com o desanimo incomum causado pela minha indefinição. É por isso que não bato as minhas pernas? Não. Tambem me é cansaço, fracasso, pulei de onde tinha chão, quis me arriscar.
Tiro a conclusão de que não vale muito a pena arriscar boa parte das coisas, boa face do mundo. Não nesse tempo de tudo ou nada, no tempo de não ter tempo. Constantemente - nisso posso dizer: todo dia- há algo de que a gente se arrependa amargamente. Nem que seja uma pequena coisa, a falta de um ato, a delegação de um impulso, há algo.
A parte boa é que aqui não há moscas para sobrevoar a merda que estou pensando. Onda vem, leva, onda vai, traz, onda vem ou leva? Não é teorema, não há teorias.
Conte até dez, se situe - estou, é verdade, no meio do mar!-.
Volto meu corpo em posição vertical e me ponho a bater os pés e braços rapidamente, na direção de alguma corrente de ar que passa carregando minhas pernas.
O que fazer agora? Esperar.
Algum'hora vou ver onde isso vai dar.
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